E isso pode mudar bastante coisa para quem faz comunicação de marca

Cresci vendo Copas do Mundo numa televisão cercada de adultos comentando escalação, arbitragem e tática. Quase sempre homens. Aquele era o formato: mesa redonda, ex-jogador, narrador, repórter de campo. Um mundo fechado em si mesmo.

De uns vinte anos pra cá isso foi mudando. Renata Fan, Milly Lacombe, Soninha Francine foram entrando na conversa e ampliando o olhar sobre o evento. Certamente estou deixando outras mulheres de fora dessa lista, mas são delas que me lembro. Ainda era futebol, mas com perspectivas que antes não cabiam ali (talvez porque o público tradicional da época não desse muita bola pra uma voz feminina comentando o clube do Bolinha).

Até que na Copa do Catar, em 2022, aconteceu algo diferente: Deborah Secco virou comentarista do “Tá na Copa”, no SporTV. Ela mesma foi logo dizendo que não entendia muito de futebol, que sua função no programa era ser exatamente aquela pessoa que não acompanha o esporte, mas que na Copa vira apaixonada. A presença dela (e de seus looks) gerou críticas, gerou memes, gerou conversa. E talvez tenha sido o primeiro sinal claro de que o evento estava começando a escapar das bordas do comentário esportivo tradicional.

Agora, em 2026, esse movimento tem ido bem mais longe.

Criadores como Diva Depressão, Camila Fremder, Chico Barney e Jenny Prioli, que você normalmente veria comentando com humor ácido temas como comportamento, BBB, fofoca e subcelebridades, migraram para a Copa com o mesmo olhar que teriam para qualquer outro grande espetáculo. Não estão ali para analisar probabilidades matemáticas de classificação, esquemas táticos ou chaves mais competitivas. Estão comentando os looks, as publis, os romances, os memes, os bastidores, a vida pessoal dos jogadores. O Neymar foi convocado e minutos depois apareceu fazendo publi do Mercado Livre, e isso virou pauta imediata nesse circuito.

Para esses criadores, e para o público enorme que os acompanha, a Copa é um reality show com chuteiras.

Faz todo sentido. O que eles dominam não é futebol, é a lógica do entretenimento ao vivo, acontecimentos imprevisíveis que geram conversa contínua. Realities funcionam assim. Premiações funcionam assim. Tretas de internet funcionam assim. A Copa, com seus jogos diários e narrativas em tempo real, é o combustível perfeito para esse formato.

Isso abre um território que ainda tem muito espaço disponível.

A maioria das marcas ainda se comunica na Copa pelo caminho clássico: torcida, verde e amarelo, otimismo, emoção, resultado. Funciona, mas existe um público gigante acompanhando o evento por um viés completamente diferente, pessoas que nunca se interessaram por análise técnica, mas que se interessam profundamente por comportamento, estética, fofoca, narrativa e humor. O público LGBTQIAPN+, que historicamente ficou à margem desse tipo de cobertura, está dentro dessa conversa agora, com o viés que lhe interessa.

Uma marca não precisa entender de futebol para falar de Copa em 2026. Precisa entender de cultura, de comportamento, de como as pessoas estão comentando o evento na internet.

Quem perceber isso antes vai conseguir criar conteúdo que ressoa de verdade com a internet de hoje.

Porque o público não está só atrás de informação sobre o jogo; está atrás de conversa. E os melhores conteúdos sempre foram os que entenderam isso primeiro.


Na Ecco, a gente parte dessa leitura de contexto cultural antes de criar qualquer coisa. Se isso faz sentido para a sua marca, a conversa começa aqui.